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Ciclo de Debates Cobertura - Seguro transportes enfrenta momento difícil

08/05/2009 - REVISTA COBERTURA

Seguro transportes enfrenta momento difícil

Ramo pode estar ameaçado, caso não sejam tomadas medidas para controle da sinistralidade

“O roubo de cargas registrou crescimento até 2002. Nos quatro anos seguintes, as ocorrências estabilizaram. No entanto, nos últimos dois anos observa-se uma tendência de crescimento”, destacou Paulo Roberto de Souza, coronel da Reserva do Exército e assessor de Segurança da NTC, FETCESP e SETCESP, durante o primeiro evento do Ciclo Cobertura de Debates realizado ontem, 07 de maio, com o tema “Seguro Transportes – Os impactos da crise na performance dos riscos”.

O especialista na atividade de Inteligência e em Áreas de Estratégia e Planejamento apresentou um retrato do roubo de cargas no âmbito do transporte rodoviário, em evento patrocinado pela Mapfre Seguros com o apoio institucional da ABEPL (Associação Brasileira de Empresas de Profissionais de Logística), que reuniu mais de 100 pessoas, entre corretores, segurados, executivos de seguradoras e empresas prestadoras de serviços.

Em 2007, o país registrou 11.850 ocorrências de roubo e furto de cargas que geraram prejuízos de R$ 735 milhões. Embora os dados ainda não estejam finalizados, para 2008 projeta-se o volume de 12.400 ocorrências com prejuízos de R$ 800 milhões.

Especificamente em São Paulo, foram registrados 1849 casos no primeiro trimestre, um aumento de 10% em relação ao ano passado.

Segundo o coronel, 54,5% das ocorrências de roubo registradas em 2008 estão ligadas a entregas em áreas urbanas de cargas com valores estimados entre R$ 3 mil a R$ 30 mil.

“Os roubos em rodovias vêm decrescendo. A razão é que as cargas de rodovias, de maior valor agregado, passaram a ter maior proteção com o gerenciamento de riscos. Em contrapartida, é notório o aumento das ocorrências em áreas urbanas”, diz.

Sinistralidade caótica

Do lado das seguradoras, a conclusão é que se criou um círculo vicioso no segmento de seguro de transporte, ao qual o segurado passou a ‘ditar’ as regras.

A carteira que, segundo Mauro Camillo, diretor-executivo da carteira de Transportes da Aon Risk, vive uma tendência de aumento da sinistralidade passa por uma situação caótica.

Segundo Camillo, esse cenário é decorrente do fato de, há cerca de três anos, as seguradoras terem gerado mais flexibilidade para conquistar o cliente. “Um engano, pois isso só trouxe dificuldades para os anos seguintes. Se um cliente conseguia um desconto na taxa com uma sinistralidade ruim, acreditava adquirir outro posteriormente. Caso contrário, mudava de seguradora. É o famoso rouba-monte. O cliente se acostumou a isso”, explicou o diretor da Aon, ao fazer um apelo para que as seguradoras tenham uma postura diferente e sejam coerentes no momento da avaliação das taxas.

O diretor-executivo da Mapfre Seguros, Artur dos Santos, concorda com Camillo com relação ao fato da sinistralidade ser oriunda quase exclusivamente dos descontos concedidos pelas seguradoras. Segundo ele, basta observar a evolução da sinistralidade da carteira de 2001 até o primeiro trimestre de 2009. “O RCT registrou 48% de sinistralidade em 2001; em 2008 foram 66%; e, no primeiro trimestre deste ano, 77%. Essa era a carteira que nós, seguradores, tínhamos como um colchão para sustentar o seguro de roubo de carga. No entanto, hoje, está praticamente igual”, destacou Santos, complementando que essa situação já desencadeou a saída de algumas companhias dessas áreas.

“Se a concorrência predatória, a queda no volume e o aumento da sinistralidade continuarem, a carteira vai naufragar”, ressaltou Camillo.

Para contornar a situação, o diretor da Mapfre sugere às seguradoras medidas como a redução de limite máximo de indenização e o aumento da participação obrigatória do segurado.

Leia mais sobre o evento realizado pela Revista Cobertura e a Transportes Brasil na edição de junho da Revista Cobertura.

 
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